Este blog é dedicado unicamente a Juliana Peixoto, minha inspiração.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

PARABÉNS AO MESTRE!!!

No último dia 19, o poetinha Vinicius de Moares estaria completando 96 anos de muita paixão pela vida. Quantas parcerias não surgiriam? Quantos novos sonetos não brotariam da alma daquele sujeito? Quantas outras Garotas de Ipanema não balançariam o coração do galanteador, fosse em Recife ou em Porto Alegre? E suas Canções, a fonte da juventude da Bossa Nova???????
Difícil responder.

Só sei que no dia 19 de outubro de 1913, nascia "o poeta que, quem sabe, um dia poderia ser". E FOI. E SEMPRE SERÁ.
Ele que foi dramaturgo, poeta, compositor, jornalista como crítico de cinema; que se formou em Letras, Ciências Jurídicas e Sociais; que conheceu o mundo; que fez grandes amizades; que se casou várias vezes... Um Vinicius que viveu eternamente enquanto durou.

Mas agora Chega de Saudade, preciso ir.... Há muito trabalho a se fazer. Eu só não poderia deixar passar em branco uma data tão especial. Ainda que atrasado, deixo aqui minha homenagem.


video
Vinicius e Tom Jobim bêbados




video
Trecho do filme "Vinicius"



video
O Haver - Poema de Vinicius

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O VIAJANTE MÚSCULO


Escorre rubro, batendo fora do quarto escuro,
Latejando na epiderme da mão, o dilacerado músculo.
Retirado de seu lar e de tanto preito
Para ser urgentemente exorcizado disto que me arde.

Esvaziam-se os átrios e os ventrículos
Dos sonhos não vividos e das palavras ainda nem ditas,
Em gotas velozes, a cor do sangue por entre os dedos
Deixando as nódoas que tingem a dor de cada página.
E, de repente, o sangue se dispersa pelos cômodos da casa,
Preenchendo os desvãos entre um verso e outro.

O pulsar frágil falecia e,
Embora estivesse dentro de mim
No silêncio da estreita cavidade carcerária,
Eu não pude tocá-lo.
Mas agora, misteriosamente, exposto cru,
Respira livre enfim
Neste espaço um tanto imenso para cabê-lo.

Logo, o vento facilmente, como quem carrega pólen,
Afaga-me o coração em milhares de toques cuidadosos,
Convidando-me a embarcar em novos ares.
Assim, lanço o corpo contra as ondas
E, içando as velas, navego rumo a outros mares.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O PACTO


Quando eu caí neste mundo

Não sabia o quanto Carlos eu seria.

Fiz um pacto com a morte num contrato de vida

E dela minh'alma seria na inadiável hora de partida.


Quando eu caí aqui, assim

Como a chuva que escorre nua

E molha o telhado das casas

Não sei, talvez tenham me cortado as asas

E de letárgico sono, feito cão sem dono,

Tenha me despertado de um lindo e interminado sonho.


Quando este mundo caiu sobre mim

Nem saberia imaginar do peso a carregar

Esmagando cada músculo das minhas costas.

Quando tudo caiu sobre mim, aqui

O desespero foi tanto que fugi

Correndo descalço pelas calçadas.

E quando caí em mim

Vi-me refletido nas poças da chuva

Perdido, caído no chão,

Um pedaço era eu,

E o resto, saudade.


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


Poesia extraída do livro "Além da Estrada" de Carlos Eduardo Mélo, Editora Bagaço - Recife, 2007, pág. 133

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

MAR TÍRIO


Como é caótica

A temível situação horrenda

De viver morto.

Tudo a mim vem em contramão

E as diminutas e paliativas alegrias

Vindas sem êxito,

Encobertas pelo tédio,

Encarecem ainda mais

A intolerante vida minha.

Subordinado às trevas

De uma saudade retórica,

Viajo desimportante,

Navegando fatigado

Em meu mar, mar,

Martírio.


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -


Poesia extraída do livro "O Louco e o Amante" de Carlos Eduardo Mélo, Editora Bagaço - Recife, 2002, pág. 66


- - - - - - - - - - - - - - - - -


Do grito de "terra à vista!" pude atracar num porto seguro e pisar com os pés no chão.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

RUMO


Ela é quem mora a oeste do meu peito,

E lá para as tantas da madrugada

Pego o sul de volta para casa.


Já ela... Ela é meu norte;

É para onde apontam meus versos

Submersos na alma que ferve

Enraizada aos olhos dela.


Tão submissa quanto singela,

A leste fica a mão que escreve

E entrelaça a mão dela.

terça-feira, 12 de maio de 2009

SOLIDÃO



Nestas elegias atrozes me anulo

À beira da autodestruição.

Recôndito, no suicídio do meu túmulo

Arquejo tácito a própria exaustão.


Cresce devastante a melancolia

Como metástases anômalas

Apodrecem iludidas na agonia

Da obscuridade das sombras.


Corre presa, ofusca luzernas

Intrínseca dos açoites

Escondida em cavernas.


Persegue-me as noites

Epidemias internas

Durante secos afrontes.


- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Poesia extraída do livro "O Louco e o Amante" de Carlos Eduardo Mélo, Editora Bagaço - Recife, 2002, pág. 65