Dedico este Blog a minha maior inspiração, Juliana Peixoto.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

PRESENTE DO PRETÉRITO

Busco a saída por todos os lados, mas só há vazio.
Por Deus, alguém me ajude!
Assim, vou deixando rastros de esquecimento.

Quanto mais fujo, sinto-me cada vez mais distante
E caio em desespero.
Choro sem derramar lágrimas,
Sangro sem feridas abertas.

Tarde demais para me resgatar
Meus passos prosseguem para onde não enxergo.
Na direção além do que posso tocar.

Vou me enchendo de saudade
E deixando o que me resta para trás.
Abro os olhos, ofegante para um novo despertar
Logo, tão de repente, o silêncio se refaz.

segunda-feira, 28 de março de 2011

O CADAFALSO E O HERÓI

Atadas as mãos, caminhei na direção do sol
Com o pescoço disposto à forca.
Vi o horizonte do alto do tablado
E, dum segundo inevitável, o passo em falso.

Eis que o chão se abriu abaixo dos meus pés
E, num abismo interno, flutuei.
Por mais que quisesse em desespero tocar o solo
Era tarde para alcançá-lo.

Relutei com bravura pelo não-anoitecer dos meus olhos
Contudo, do meu grito silenciado, fez-se a solidão
Sendo, o sufocar da corda, o único abraço a me envolver.

Decerto não era o conforto que queria, mas o restante que eu tinha.
Minha coragem se encolheu de medo,
Da minha força se fez o cansaço
E de toda minha agonia revelou-se o sereno.

Fui, então, tomado pouco a pouco pela sensação de ganhar asas
E voei.
Bati minhas asas na maior urgência dali.

Lembro-me bem da última coisa que vi daquele cadafalso:
Eu, cada vez mais alto,
Ganhando as nuvens, subindo, subindo e subindo
E subitamente morri sorrindo.

terça-feira, 22 de março de 2011

DO ONTEM

Do instante traiçoeiro em que me corta de navalha,
A realidade adormece meus sonhos e
Apaga todas as luzes da cidade.

Desabotoando os olhos para os raios do dia,
Levantei-me inconsciente para um hoje que não me queria.

No espelho, expus meu rosto inchado e as cruas feridas
Do constante enxugar de lágrimas que sempre me arranha a pele.
Ao me ver, busquei qualquer lembrança de mim
Mas, do que vi, pensei: morri.

segunda-feira, 14 de março de 2011

QUANDO ELA VEM


Vem assim, cheia de saudade e malícia,
Sem hora marcada, sem pudor ou cautela,
Não pede licença e já entra me tocando.
Entra com passos calados, encarando-me com brandos olhos
E abrindo os largos braços. Como um vento.
Envolvendo-me num frio abraço e, em silêncio,
Fala baixinho aos meus ouvidos com severa paciência.

Como uma amante, ela chega e se entrega veemente,
Mordendo a carne, rasgando as vestes, arranhando as costas.
Vem com o fascínio pela noite e a tristeza desesperada do abandono.
Chega devota à brevidade dos amores eternos e da carência de sono.
Ela me aparece com sua capacidade de esconder minhas lágrimas
E o seu ridículo desejo de me satisfazer, guardando segredo.

Vem do nada, com sua fidelidade e todo respeito,
Trazendo sonhos para quem se esquece da vida.
Beija a mão gelada que escreve durante a madrugada
Guiando-a pelo labirinto de páginas gritando por rabiscos.

E assim, vou sendo seduzido pela facilidade de me compreender.
Sentindo-a delicadamente com a ponta dos dedos,
Deixo meu coração fervendo com sua imensa beleza.
Ah, essa leve epiderme, essas histórias que contas de fantasias
Pela ternura em tua face. Ah, essa súbita ilusão de me fazer feliz.
Ela me vem como quem nada quer, devolvendo-me um pedaço ainda meu,
Mas, como todas as outras,
Ela me chega falsária como se já dissesse adeus.

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

É assim que a vejo e é assim que a sinto: Poesia. Parabéns, pelo seu dia!
Dia da Poesia - 14 de Março.